São Paulo e os indígenas

A agressão a imagem do índio Munduruku, na foto feita por mim e que faz parte da instalação, Resistência ou Morte, na 7ª Mostra SP de Fotografia, me lembrou de uma outra foto que fiz para uma matéria sobre habitação e meio ambiente, para Folha, em 2012.

É também a foto de uma imagem (grafite) de um indígena, danificada por causa de uma demolição para dar lugar a um conjunto habitacional, na comunidade do Real Parque, no Morumbi.

A única ligação que consigo fazer entre elas, é que, numa cidade que tem um monumento em homenagem a um genocida como o Borba Gato, índio não tem vez nem em imagem.

Estamos subdimensionando o tamanho do ódio social em que estamos metidos.

7ª Mostra SP de Fotografia - Resistência ou Morte

Ontem foi dia de instalação na 7ª Mostra SP de Fotografia.

O trabalho que apresento é minha homenagem particular aos índios Munduruku e sua luta vitoriosa contra a construção da hidrelétrica de São Luiz do Tapajós. 

Os Munduruku são um povo guerreiro e generoso, foi essa generosidade que me permitiu retrata-los e revelar pelo menos um pouco da sua nobreza, da sua tenacidade e do seu respeito pela vida e pela natureza.

Agradeço muito a eles e também ao Greenpeace que proporcionou minha ida até lá.

Um agradecimento especial a querida amiga, Marina Yamaoka, que escreveu um lindo (abaixo) texto de apresentação para esse trabalho.

"A série de retratos de índios Munduruku desenterra o rio Verde, curso de água invisível que foi soterrado para dar abertura a ruas e construções em Pinheiros. O acelerado processo de urbanização em São Paulo no começo do século levou ao desaparecimento de vários rios e córregos, hoje, ocultos e despercebidos. Ao mesmo tempo em que as fotografias revelam o local onde, um dia, houve água corrente e um rio vivo, elas são expressão da resistência do povo Munduruku, no rio Tapajós, ameaçado pela construção de um complexo de hidrelétricas em sua bacia e que luta para o que considera ser o "rio da vida” não desapareça. O rio é a essência dos Munduruku que tradicionalmente habitam suas margens há milhares de anos e é local de enfrentamento entre os planos de desenvolvimento do governo e a conservação ambiental e cultural. Os Munduruku lutam para proteger a floresta, as águas verde-azuladas que rasgam o oeste do Pará e sua identidade e forma de viver". Por Marina Yamaoka